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Say, tell, speak ou talk? A aula que virou playlist

Foto do escritor: TLN Idiomas
TLN Idiomas
17 de set.
4 min de leitura

Toda aula tem aquele momento. Um exercício simples, uma frase que devia ser óbvia, e a aluna trava.


Foi assim outro dia. Estávamos classificando frases pelo uso (qual é opinião, qual é condição, qual mostra outro ponto de vista) e a frase era essa aqui:

"As long as Siena's son hasn't lied about where he's going or what he's doing, I wouldn't track his phone." (contanto que o filho da Siena não tenha mentido sobre pra onde está indo ou o que está fazendo, eu não rastrearia o celular dele)

Um "as long as" bem no meio da frase. E a aluna simplesmente não via que aquilo era uma condição.


Ela mesma se explicou, em inglês: "eu sou péssima com nomenclatura, nem em português eu sei o que é objeto direto, o que é conjunção, nada disso."


E eu falei uma coisa que repito bastante pras minhas alunas. Você não precisa saber o nome da regra. Você precisa saber duas coisas: como se monta a estrutura e quando usá-la.


Aí eu disse "Pera, essa você sabe. Pensa no Backstreet Boys." A música do "as long as you love me". O que ela quer dizer? Ela mesma respondeu, sem perceber que tinha acabado de resolver o exercício sozinha: "if you love me, everything is ok" (se você me ama, está tudo bem). Uma condição. Simples assim.

a aluna em questão é fã de carteirinha dos Backstreet Boys. Eu não escolhi essa música à toa, escolhi porque sabia que ia funcionar com ela

Não foi sorte. É como a memória funciona. Uma regra gramatical solta é só informação. Uma regra amarrada a uma música que você já ama, que já mora na sua cabeça há anos, vira memória. E memória a gente não esquece.


Calma, eu sei que você veio aqui atrás de say, tell, speak e talk, o título não mentiu. Mas eu queria te mostrar o método antes do exemplo, porque ele funciona pra qualquer estrutura, não só pra essa. Agora sim, vamos ao que interessa.


Hoje quero fazer isso com quatro verbos que praticamente toda aluna de inglês confunde em algum momento da jornada, say, tell, speak e talk.


Say é sobre o que foi dito, não pra quem


Say + something



Repara até no título da música, "Say My Name". Não tem pessoa nenhuma ali. O "say" não é usado pra falar com alguém, é usado pra falar ou dizer algo. Ele pergunta "o quê", não "pra quem". Say (diga/fale) my name (algo).


Tell exige uma pessoa no meio do caminho


Tell + person + something



Aqui é diferente do "say". Reparou no "me" logo depois do "tell"? Não existe "tell why" sem colocar alguém ali no meio. Se a pessoa desaparece, o "tell" simplesmente não funciona sozinho.


Aqui já dá pra fechar a primeira virada de chave. Say olha para o quê foi dito. Tell olha para quem recebeu a mensagem.


Talk é conversar


Talk + to somebody + about something



Essa é a mais sutil, e a que mais confunde na prática. "Talk" não é "contar algo pra alguém", é conversar com alguém sobre alguma coisa.


No título já dá pra ver o padrão inteiro. Ele está falando com a lua, mesmo sabendo que ela não vai responder. O "to" ali não é acessório, ele é praticamente parte do verbo quando existe alguém do outro lado. É diálogo, é troca, é papo indo e voltando (ou tentando ir e voltar, no caso da música). Não é informação sendo entregue de um lado só, como acontece no "tell".


aliás, a lua parece ser personagem favorita de compositor apaixonado ou magoado, né?!. Tem "Recado à Minha Amada", do Katinguelê, tem "A Lua Me Traiu", da Joelma.

Speak foca na habilidade de falar


speak (sem complemento) ou speak + language



Nessa música, "don't speak" está no sentido mais literal possível, fique quieto/calado. Sem complemento nenhum, sem "pra quem", sem "sobre o quê". Só "não fale", ponto final.


Speak = a habilidade, a ação de falar em si.


É esse "speak" que a gente usa quando o assunto é a capacidade de se comunicar. Não é contar uma história, não é bater papo sobre um assunto, é o ato de falar em si, puro. Às vezes ele nem precisa de complemento nenhum, tipo "the baby is starting to speak" (o bebê está começando a falar). Simplesmente falar, sem "sobre o quê" nem "com quem".


E às vezes ele vem acompanhado do idioma, que é um dos usos mais comuns do "speak" no dia a dia. E quando a aluna fala aquela famigerada frase geralmente logo depois de uma aula inteira de 50 minutos, 100% em inglês.


"I don't speak English."


Não sei nem o que falar, só sentir kkkrying

Say, tell, speak e talk de um jeito só, pra salvar

Verbo

Estrutura

Música pra lembrar

say

say + something

Say My Name, Destiny's Child

tell

tell + person + something

Tell Me Why, Backstreet Boys

talk

talk + to + person + about something

Talking to the Moon, Bruno Mars

speak

speak (sem complemento)

Don't Speak, No Doubt

Não é que a regra deixe de existir. É que achar uma forma mais significativa de entender ela faz você passar a usar de um jeito muito mais natural, sem precisar parar pra pensar na estrutura toda vez. E uma música que já mora na sua cabeça há anos é uma forma e tanto de chegar lá.


Esse é o tipo de associação que eu trago pras minhas aulas o tempo todo, porque gramática não é sobre acertar teoria, é sobre destravar a fala com confiança. E se uma música ajuda a destravar, eu uso à vontade.


E aí, qual desses quatro já te confundiu? Lembrou de alguma outra música que usa esses verbos, conta pra gente nos comentários.

 
 
 

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